Mais um site WordPress.com

Língua portuguesa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Português

Falado em:

Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e em outros 18 países.

Total de falantes: 230 milhões (aprox.)

Posição: 6ª como língua nativa ou segunda língua; 5ª como língua nativa [1]


Português

Estatuto oficial

Língua oficial de:  Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Macau, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste.

A língua portuguesa, com mais de 210 milhões de falantes nativos, é a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada no mundo ocidental. Idioma oficial único do Brasil, e idioma oficial, conjunto com outros idiomas, de Portugal (cuja segunda língua oficial é o mirandês), Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, é falada na antiga Índia Portuguesa (Goa, Damão, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli), além de ter também estatuto oficial na União Europeia, no Mercosul e na União Africana.

A situação da Galiza e do galego em relação ao português é controversa. De um ponto de vista político e, portanto, oficial, o Galego é uma língua porque assim o determinam os organismos de estado Espanhol e da Região Autónoma da Galiza, com legitimidade democrática. De um ponto de vista científico, a ideia de que o galego é uma variante dialectal da língua portuguesa reúne hoje um vasto consenso, sendo estudado a par com as restantes variantes do português nas universidades e centros de investigação linguística. Ver o artigo Língua galega).

A língua portuguesa é uma língua românica (do grupo ibero-românico), tal como o castelhano, catalão, italiano, francês, romeno e outros.

Assim como os outros idiomas, o português sofreu uma evolução histórica, sendo influenciado por vários idiomas e dialetos, até chegar ao estágio conhecido actualmente. Deve-se considerar, porém, que o português de hoje compreende vários dialectos e subdialectos, falares e subfalares, muitas vezes bastante distintos, além de dois padrões reconhecidos internacionalmente (português brasileiro e português europeu). No momento actual, o português é a única língua do mundo ocidental falada por mais de cem milhões de pessoas com duas ortografias oficiais (note-se que línguas como o inglês têm diferenças de ortografia pontuais mas não ortografias oficiais divergentes), situação a que o Acordo Ortográfico de 1990 pretende pôr cobro.

Segundo um levantamento feito pela Academia Brasileira de Letras, a língua portuguesa tem, atualmente, cerca de 356 mil unidades lexicais. Essas unidades estão dicionarizadas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa .

O português é conhecido como A língua de Camões (por causa de Luís de Camões, autor de Os Lusíadas), A última flor do Lácio, expressão usada no soneto Língua Portuguesa de Olavo Bilac ou ainda A doce língua por Miguel de Cervantes.

Nos séculos XV e XVI, à medida que Portugal criava o primeiro império colonial e comercial europeu, a língua portuguesa se espalhou pelo mundo, estendendo-se desde a costa Africana até Macau, na China, ao Japão e ao Brasil, nas Américas. Como resultado dessa expansão, o português é agora língua oficial de oito países independentes, e é largamente falado ou estudado como segunda língua noutros. Há, ainda, cerca de vinte línguas crioulas de base portuguesa. É uma importante língua minoritária em Andorra, Luxemburgo, Namíbia, Suíça e África do Sul. Encontram-se, também, numerosas comunidades de emigrantes, em várias cidades em todo o mundo, onde se fala o português como Paris na França; Toronto, Hamilton, Montreal e Gatineau no Canadá; Boston, New Jersey e Miami nos EUA e Nagoya e Hamamatsu no Japão.

Índice

História

Ver artigo principal: História da Língua Portuguesa.

 Luís de Camões

O português desenvolveu-se, na parte ocidental da Península Ibérica, do latim falado, trazido pelos soldados e colonos romanos desde o século III a.C.. A língua iniciou o seu processo de diferenciação das outras línguas românicas depois da queda do Império Romano e das invasões bárbaras no século V. Começou a ser usada em documentos escritos pelo século IX, e no século XV tornara-se numa língua amadurecida, com uma literatura bastante rica.

Chegando à Península Ibérica em 218 a.C., os romanos trouxeram com eles a língua romana popular, o latim vulgar, de que todas as línguas românicas (também conhecidas como "Línguas novilatinas", ou, ainda, "neolatinas") descendem. Já no século II a.C. o sul da Lusitânia estava romanizado. Estrabão, um geógrafo da Grécia antiga, comenta num dos livros da sua obra Geographia: "Eles adoptaram os costumes romanos, e já não se lembram da própria língua." A língua tornou-se popular com a chegada dos soldados, colonos e mercadores romanos, que construíram cidades romanas normalmente perto de antigos povoados de outras civilizações.

Entre 409 d.C. e 711, assim que o Império Romano entrou em colapso, a Península Ibérica foi invadida por povos de origem germânica, conhecidos pelos romanos como bárbaros. Os bárbaros (principalmente os suevos e os visigodos) absorveram em grande escala a cultura e a língua da península; contudo, desde que as escolas e a administração romana fecharam, a Europa entrou na Idade Média e as comunidades ficaram isoladas, o latim popular começou a evoluir de forma diferenciada e a uniformidade da península rompeu-se, levando à formação de um "Romance Lusitano". Desde 711, com a invasão islâmica da península, o árabe tornou-se a língua de administração das áreas conquistadas. Contudo, a população continuou a usar as suas falas românicas de tal forma que, quando os mouros foram expulsos, a influência que exerceram na língua foi relativamente pequena. O seu efeito principal foi no léxico, com a introdução de milhares de palavras.

Os registos mais antigos que sobreviveram de uma língua portuguesa distinta são documentos administrativos do século IX, ainda entremeados com muitas frases em latim. Hoje em dia, essa fase é conhecida como o "Proto-Português" (falado no período entre o séculos IX e XII).

Trecho de poesia
medieval portuguesa

Das que vejo

non desejo

outra senhor se vós non,

e desejo

tan sobejo,

mataria um leon,

senhor do meu coraçon:

fin roseta,

bela sobre toda fror,

fin roseta,

non me meta

en tal coita voss’amor!

João de Lobeira
(1270?–1330?)

Portugal tornou-se independente em 1143 com o rei D. Afonso Henriques. No primeiro período do "Português Arcaico" – Período Galego-Português (do século XII ao século XIV), a língua começou a ser usada de forma mais generalizada, depois de ter ganhado popularidade na Península Ibérica cristianizada como uma língua de poesia. Em 1290, o rei Dom Dinis cria a primeira universidade portuguesa em Lisboa (o Estudo Geral) e decretou que o português, até então apenas conhecido como "língua vulgar" passasse a ser conhecido como Língua Portuguesa e oficialmente usado.

No segundo período do Português Arcaico, entre os séculos XIV e XVI, com as descobertas portuguesas, a língua portuguesa espalhou-se por muitas regiões da Ásia, África e Américas. Hoje, a maioria dos falantes do português encontram-se no Brasil, na América do Sul. No século XVI, torna-se a língua franca da Ásia e África, usado não só pela administração colonial e pelos mercadores, mas também para comunicação entre os responsáveis locais e europeus de todas as nacionalidades. A irradiação da língua foi ajudada por casamentos mistos entre portugueses e as populações locais e a sua associação com os esforços missionários católicos levou a que fosse chamada Cristão em muitos sítios da Ásia. O Dicionário Japonês-Português de 1603 foi um produto da actividade missionária jesuíta no Japão. A língua continuou a gozar de popularidade no sudoeste asiático até ao século XIX.

Algumas comunidades cristãs falantes de português na Índia, Sri Lanka, Malásia e Indonésia preservaram a sua língua mesmo depois de terem ficado isoladas de Portugal. A língua modificou-se bastante nessas comunidades e, em muitas, nasceram crioulos de base portuguesa, alguns dos quais ainda persistem, após séculos de isolamento. Encontra-se também um número bastante considerável de palavras de origem portuguesa no tétum. Palavras de origem portuguesa entraram no léxico de várias outras línguas, como o japonês, o suaíli, o indonésio e o malaio.

O fim do "Português Arcaico" é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende em 1516. O período do "Português Moderno" (do século XVI até ao presente) teve um aumento do número de palavras originárias do latim clássico e do grego, emprestadas ao português durante a Renascença, aumentando a complexidade da língua.

Em Março de 2006, fundou-se em São Paulo o Museu da Língua Portuguesa.

A língua portuguesa é, em alguns aspectos, parecida com a língua castelhana, tal como com a língua catalã ou a língua italiana, mas é muito diferente na sintaxe, na fonologia e no léxico. Um falante de uma das línguas requer alguma prática para entender capazmente um falante da outra. Além do mais, as diferenças no vocabulário podem dificultar o entendimento. Compare por exemplo:

Ela fecha sempre a janela antes de jantar. (português)

Ella cierra siempre la ventana antes de cenar. (castelhano)

Em alguns lugares, o português e o castelhano são falados em conjunto. Enquanto que os falantes de português têm um nível notável de compreensão do castelhano, os falantes castelhanos têm, em geral, maior dificuldade de entendimento. Isto ocorre porque o português tem a maior parte dos sons do castelhano, mas possui alguns que são únicos. No português, por exemplo, há sons anasalados e, no dialecto de Portugal, o final das palavras não é pronunciado por completo. Essas peculiaridades dificultam a compreensão dos falantes castelhanos. O português é, naturalmente, relacionado com o catalão, o italiano e todas as outras línguas latinas. Falantes de outras línguas latinas podem achar peculiar a conjugação de verbos aparentemente infinitivos.

Há muitas línguas de contacto derivadas do ou influenciadas pelo português, como por exemplo o Patuá macaense de Macau. No Brasil, destacam-se o Lanc-Patuá derivado do francês e vários quilombolas, como o cupópia do Quilombo do Cafundó, de Salto do Pirapora, SP[2]

Distribuição geográfica

Ver artigo principal: Geografia da língua portuguesa.

O português é primeira língua em Angola, Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe. E é a língua mais usada em Moçambique.

A língua portuguesa é também a língua oficial de Cabo Verde e uma das línguas oficiais de Timor-Leste (com o tétum) e Macau (com o chinês). É bastante falado, mas não oficial, em Andorra, Luxemburgo, Namíbia e Paraguai. Crioulos de base portuguesa são a língua materna da população de Cabo Verde e de parte substancial dos guineenses e são-tomenses.

O português é falado por cerca de 187 milhões de pessoas na América do Sul, 16 milhões de africanos, 12 milhões de europeus, dois milhões na América do Norte e 330 mil na Ásia.

A CPLP ou Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é uma organização internacional constituída pelos oito países independentes que têm o português como língua oficial. O português é também uma língua oficial da União Europeia, Mercosul e uma das línguas oficiais e de trabalho da União Africana. A língua portuguesa tem ganho popularidade como língua de estudo na África, América do Sul e Ásia.

Padrões

O português tem duas variedades escritas (padrões ou standards) reconhecidas internacionalmente:

Empregado por cerca de 85% dos falantes do português, o padrão brasileiro é hoje o mais falado, escrito, lido e estudado do mundo. É, ademais, amplamente estudado nos países da América do Sul, devido à grande importância económica do Brasil no Mercosul.

As diferenças entre as variedades do português da Europa e do Brasil estão no vocabulário, na pronúncia e na sintaxe, especialmente nas variedades vernáculas, enquanto nos textos formais essas diferenças diminuem bastante. As diferenças não são maiores que entre o inglês dos Estados Unidos e do Reino Unido ou o francês da França e de Québec. Ambas as variedades são, sem dúvida, dialectos da mesma língua e os falantes de ambas as variedades podem entender-se apenas com pequenas dificuldades pontuais.

Essas diferenças entre as variantes são comuns a todas as línguas naturais, ocorrendo em maior ou menor grau, dependendo dos casos. Com um oceano entre Brasil e Portugal, e ao longo de quinhentos anos, a língua evoluiu de maneira diferente em ambos os países, dando origem aos dois padrões de linguagem simplesmente diferentes, não existindo um padrão que seja mais correcto em relação ao outro.

É importante salientar que dentro daquilo a que se convencionou chamar "português do Brasil" e "português europeu", há um grande número de variações regionais.

Um dos traços mais importantes do português brasileiro é o seu conservadorismo em relação à variante europeia, sobretudo no aspecto fonético. Um português do Século XVI mais facilmente reconheceria a fala de um brasileiro do Século XX como sua do que a fala de um português. O exemplo mais forte disto é o vocalismo atóno usado no Brasil, que corresponde ao do português da época dos descobrimentos. Este fato destrói todo um discurso muito comum no Brasil que procura minorar a herança portuguesa, valorizando apenas as influências africanas e italianas. Destrói também todo um discurso muito comum em Portugal que tenta fazer dos portugueses falantes com mais direitos e autoridade do que os brasileiros. Assim, a linguística não só retira qualquer autoridade de qualquer variante em relação às outras, como mostra que a distância entre as variantes e entre os seus falantes não é tão grande como muitos pensam.

O que mais afasta as duas variantes não é o seu léxico ou pronúncia distintos (considerados naturais até num mesmo país), mas antes o facto, pouco comum nas línguas, de seguirem duas ortografias diferentes. Por exemplo, o Brasil eliminou os primeiros "c" (quando "cc", "cç" ou "ct") e "p" (quando "pc", "pç" ou "pt") sempre que não são pronunciados na forma culta da língua, um remanescente do passado latino da língua que persiste em muitas palavras no português europeu, dada a pronúncia diferente. Por seu lado, Portugal aboliu unilateralmente o trema em palavras como frequente, enquanto no Brasil esse sinal continua indicando quando o "u" deve ser lido. Durante muitos anos os dois países estiveram de costas voltados, legislando sobre a língua sem darem atenção um ao outro, nem aos restantes países lusófonos.

Também, existem diferenças em acentos, devido a:

  1. Pronúncia diferente. O Brasil em palavras como "Antônio" ou "anônimo" usa vogais fechadas, enquanto Portugal e África usam abertas, "António" ou "anónimo", respectivamente.
  2. Facilitar a leitura. Porque "qu" pode ser lido de duas diferentes forma em português: "ku" ou "k", o Brasil decidiu facilitar, usando o trema. Em vez de "cinquenta" como é escrito em Portugal e África, no Brasil se escreve "cinqüenta". Entretanto, recentemente, o uso do trema tem se reduzido no Brasil

A Reforma Ortográfica de 1990

Ver artigo principal: Acordo ortográfico de 1990.

O Acordo Ortográfico de 1990 foi proposto para criar uma norma ortográfica única, ratificada pelo Brasil, Cabo Verde e Portugal, de que participaram na altura todos os países de língua oficial portuguesa e com a adesão da delegação de observadores da Galiza. Timor-Leste, não sendo um subscritor do acordo original, ratificou-o em 2004.

Desde o Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico, assinado em São Tomé, a 25 de Julho de 2004, aguarda-se que mais um Estado membro da CPLP (depois do Brasil e Cabo Verde) o ratifique para que o acordo entre em vigor.

O acordo irá eliminar a maioria dos "c" quando "cc", "cç" ou "ct"; e "p" (quando "pc", "pç" ou "pt") do Português Europeu, o trema e acentos em palavras terminadas em "eia" no Brasil e irá adicionar pequenas novas regras.

Um outro acordo foi feito para as novas palavras que entrarão na língua.

Dialetos

A língua portuguesa tem grande variedade de dialectos, muitos deles com uma acentuada diferença lexical em relação ao português padrão, especialmente no Brasil. Tais diferenças, entretanto, não prejudicam muito a inteligibilidade entre os locutores de diferentes dialectos.

O português europeu modificou-se mais do que as outras variedades. Mesmo assim, todos os aspectos e sons de todos os dialectos de Portugal podem ser encontrados nalgum dialecto no Brasil. O português africano, em especial o português santomense, tem muitas semelhanças com o português do Brasil. Ao mesmo tempo, os dialectos do sul de Portugal (chamados "meridionais") apresentam muitas semelhanças com o falar brasileiro, especialmente, o uso intensivo do gerúndio (e. g. falando, escrevendo, etc.) Na Europa, o dialecto "transmontano-alto-minhoto" apresenta muitas semelhanças com o galego. Um dialecto já quase desaparecido é o português oliventino ou português alentejano oliventino, falado em Olivença e em Táliga.

Após a independência das antigas colónias africanas, o português padrão de Portugal tem sido o preferido pelos países africanos de língua portuguesa. Logo, o português tem apenas dois dialectos de aprendizagem, o europeu e o brasileiro. Note-se que, na língua portuguesa, há um dialecto preferido em Portugal e que deu origem à norma-padão: o de Lisboa (também chamado de Coimbra por ser falado na Universidade de Coimbra, mas que, no entanto, não é falado no resto dessa região). No Brasil, o dialecto preferido é o falado pelos habitantes cultos das grandes cidades (principalmente São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Brasília, os maiores centros difusores da língua e da cultura do país). Todos os dialectos, contudo, são mutuamente inteligíveis sem nenhuma dificuldade e nenhum pode ser considerado melhor ou mais correcto do que os outros.

Dialectos de Portugal

  • 1. Dialectos portugueses insulares açorianos. Ouvir registo sonoro recolhido em Ponta Garça (São Miguel).
  • 8. Dialectos portugueses insulares madeirenses. Ouvir registo sonoro recolhido em Câmara de Lobos.
  • 4. e 10. Dialectos portugueses setentrionais: dialectos transmontanos e alto-minhotos. Ouvir registo sonoro recolhido em Castro Laboreiro (Minho).
  • 9. 6. 5. Dialectos portugueses setentrionais: dialectos baixo-minhotos-durienses-beirões. Ouvir registo sonoro recolhido em Granjal (Viseu).
  • 7. Dialectos portugueses centro-meridionais: dialectos do centro litoral. Inclui Coimbra. Ouvir registo sonoro recolhido em Moita do Martinho (Leiria).
  • 2. e 3. Dialectos portugueses centro-meridionais: dialectos do centro interior e do sul. Inclui Lisboa. Ouvir registo sonoro recolhido em Serpa (Beja, Alentejo).

 

Regiões subdialetais com características peculiares bem diferenciadas:

· Dialectos portugueses setentrionais

o Região subdialectal do Baixo-Minho e Douro Litoral. Inclui o Porto. Ouvir registo sonoro recolhido em Vila Praia de Âncora (Viana do Castelo).

· Dialectos portugueses centro-meridionais

o Região subdialectal da Beira Baixa e Alto Alentejo: zona centro-meridional. Ouvir registo sonoro recolhido em Castelo de Vide (Portalegre, Alentejo).

o Região subdialectal do Barlavento do Algarve. Ouvir registo sonoro recolhido em Porches (Algarve).

Um mapa mais preciso da classificação Lindley Cintra pode ser encontrado nesta página do Instituto Camões.

Dialetos do Brasil

Há pouca precisão na divisão dialetal brasileira. Alguns dialectos, como o dialeto caipira, já foram estudados, estabelecidos e reconhecidos por linguistas, tais como Amadeu Amaral. Contudo, há poucos estudos a respeito da maioria dos demais dialectos e, actualmente, aceita-se a classificação proposta pelo filólogo Antenor Nascentes e outros.

  1. Caipirainterior do estado de São Paulo, norte do Paraná, sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul
  2. Maranhense, Piauiense (Meio Nortista) – Maranhão e Piauí
  3. Baiano – região da Bahia
  4. Fluminense (ouvir) – Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (a cidade do Rio de Janeiro tem um falar próprio)
  5. GaúchoRio Grande do Sul
  6. MineiroMinas Gerais
  7. Dialetos nordestinos – Conjunto de dialectos falados na Região Nordeste, com excepção da Bahia.
  8. Nortista – estados da bacia do Amazonas (ouvir) – (o interior e Manaus têm falares próprios)
  9. Paulistanocidade de São Paulo e proximidades
  10. Sertão – Estados de Goiás e Mato Grosso
  11. Sulista – Estados do Paraná e Santa Catarina. Este dialecto sofre inúmeras variações de pronúncia de acordo com a área geográfica, sendo influenciado pela pronúncia de São Paulo no norte do Paraná e do Rio Grande do Sul no oeste do Paraná e em algumas regiões de Santa Catarina.
Dialetos de Angola

 

  1. Benguelense – província de Benguela
  2. Luandense (ouvir) – província de Luanda
  3. Sulista – Sul de Angola

 

 
 
 
 
 
Outras áreas
  • Cabo-verdiano (ouvir) – Cabo Verde
  • Galego (ouvir) Galiza, Espanha (oficialmente considerada como língua independente)
  • Guineense (ouvir) – Guiné-Bissau
  • Macaense (ouvir) – Macau, China
  • Moçambicano (ouvir) – Moçambique
  • Santomense (ouvir) – São Tomé e Príncipe
  • Timorense (ouvir) – Timor-Leste

Exemplos de palavras que são diferentes nos dialectos de língua portuguesa de três continentes diferentes: Angola (África), Portugal (Europa) e Brasil (América do Sul).

  • Angola: bazar, ir embora
  • Brasil: ir embora; (ou vazar entre adolescentes)
  • Portugal: ir embora; (ou bazar/vazar entre adolescentes)
  • Angola: machimbombo
  • Brasil: ônibus
  • Portugal: autocarro
  • Angola: muceque
  • Brasil: favela
  • Portugal: bairro de lata

Gramática

Os verbos são divididos em três conjugações, identificadas pela terminação dos infinitivos, "-ar", "-er", "-ir" (e "-or", remanescente no único verbo, "pôr", juntamente com seus compostos; este verbo pertence, todavia, à conjugação de infinitivos terminados em "-er", pois tem origem no latim "poner", evoluindo para "poer" e "pôr"). A maioria dos verbos terminam em "ar", tais como "cantar". De uma forma geral, os verbos com a mesma terminação seguem o mesmo padrão de conjugação. Porém, são abundantes os verbos irregulares e alguns chegam a ser até mesmo anómalos: ir, ser, saber, pôr e seus derivados apor, opor, compor, despor, supor, propor, decompor, recompor, repor, sobrepor e antepor.

Na Língua Portuguesa, os verbos são divididos em três modos, de acordo com o que exprimem:

  • Indicativo, para exprimir fatos tidos como certos;
  • Conjuntivo, para exprimir suposições;
  • Imperativo, para exprimir instruções.

Todos os substantivos portugueses apresentam dois géneros: masculino ou inclusivo e feminino ou exclusivo. Muitos adjectivos e pronomes, e todos os artigos, indicam o género dos substantivos a que eles se referem. O género feminino em adjectivos é formado de modo diferente dos substantivos. Muitos adjectivos terminados em consoante permanecem inalterados: "homem superior", "mulher superior", da mesma forma os adjectivos terminados em "e": "homem forte", "mulher forte". Fora isso, o substantivo e o adjectivo devem sempre estar em concordância: "homem alto", "mulher alta".

O grau dos substantivos é, de uma forma genérica, representado pelos sufixos "-ão, -ona" para o aumentativo e "-inho, -inha" para o diminutivo, ainda que haja numerosas variações para representar esses graus.

Os adjectivos podem ser empregados em forma comparativa ou superlativa. A forma comparativa é representada pelos advérbios "mais…que", "menos…que" e "tanto…quanto" (ou "como"), e a forma superlativa é representada pelas locuções "o mais" ou o "menos". Para representar o superlativo absoluto, pode-se ainda acrescentar os sufixos "-íssimo, -íssima" (alguns adjectivos, no entanto, fazem o superlativo absoluto com a terminação "-érrimo, -érrima", ou "-ílimo", "-ílima").

Os substantivos vêm geralmente acompanhados de um numeral, pronome ou artigo, assumindo variações de acordo com as funções sintácticas, a saber:

  • Nominativo (sujeito ou objecto directo): a, o, este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo;
  • Genitivo (adjunto adnominal de posse): da, do, deste, desta, disto, desse, dessa, disso, daquele, daquela, daquilo;
  • Locativo (adjunto adverbial de lugar): na, no, neste, nesta, nisto, nesse, nessa, nisso, naquele, naquela, naquilo;
  • Dativo (objecto indirecto): à, ao, àquele, àquela, àquilo (a preposição não se funde com os demais demonstrativos).

Os advérbios podem ser formados pelo feminino dos adjectivos, com o acréscimo do sufixo "-mente", por exemplo: certo = cert(a)mente.


Vocabulário

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, por Antônio Houaiss (19151999), filho de imigrantes libaneses e antigo Ministro da Cultura do Brasil, foi criado com o apoio de quase duas centenas de lexicografos de vários países e é o dicionário de língua portuguesa mais completo (cerca de 228 500 entradas, 376 500 acepções, 415 500 sinónimos, 26 400 antónimos e 57 000 palavras arcaicas). Inclui todas as variações da língua portuguesa: africanismos, asiacismos, brasileirismos e lusismos. Dedicando a sua vida à língua, Houaiss começou o seu trabalho em 1986, e morreu um ano antes do dicionário ser acabado pelos seus colegas, no ano 2000, sem ver o seu sonho tornar-se realidade. O dicionário está rapidamente a tornar-se uma referência na língua, sendo até classificado por alguns como um "monumento à língua".

O Português, quer em morfologia e síntaxe, representa uma transformação orgânica do latim sem intervenção de qualquer língua estrangeira. Os sons, formas gramaticais e tipos sintácticos, com pequenas excepções, são derivados do latim. E, cerca de 90% do vocabulário ainda deriva da língua de Roma. Algumas mudanças tomaram corpo durante o Império Romano, outras tiveram lugar mais tarde. Na Idade Média Alta, o Português estava a erodir tanto como o francês, mas uma política conservadora reaproximou a língua ao latim.

Fonética

A língua portuguesa contém alguns sons únicos para falantes de outras línguas tornando-se, por isso, necessário que estes lhes prestem especial atenção quando a aprendem.

Visto a língua portuguesa não conter uma ortografia do tipo "uma letra para cada som", como por exemplo o croata, uma letra pode ter mais do que um único som, como a letra "x" que apresenta cinco sons distintos.

Exemplos de Frases

Original

AFI (pronúncia de Lisboa)

AFI (pronúncia do Brasil)

Sustentava contra ele Vénus bela,

suʃtẽˈtavɐ ˈkõtɾɐ ˈelɨ ˈvɛnuʒ ˈbɛlɐ

sustẽtava ˈkõtɾa ˈeli ˈvenuz ˈbɛla

Afeiçoada à gente Lusitana,

ɐfɐi̯su̯ˈaða ˈʒẽtɨ luziˈtɐnɐ

afejswada a ˈʒẽt̯ʃ luziˈtɜ̃na

Por quantas qualidades via nela

puɾ ˈku̯ɐ̃tɐʃ ku̯ɐliˈðaðɨʒ ˈviɐ ˈnɛlɐ

pux ˈkwɜ̃tas kwaliˈdadʒis ˈvia ˈnɛla

Da antiga tão amada sua Romana;

dˈãtigɐ tɐ̃ũ ̯ ɐˈmaðɐ ˈsuɐ ʁuˈmɐnɐ

da ˈɜ̃tʃiga tɜ̃w̃ aˈmada ˈsua xoˈmɜ̃na

Nos fortes corações, na grande estrela,

nuʃ ˈfɔɾtɨʃ kuɾɐˈsõĩ ̯ʃ nɐ ˈgɾɐ̃dɨʃˈtɾelɐ

nus ˈfɔɾtʃis koɾaˈsõj̃s, na gɾɜ̃dʒi isˈtɾela

Que mostraram na terra Tingitana,

kɨ muʃˈtɾaɾɐ̃ũ ̯ nɐ ˈtɛʁɐ tĩʒiˈtɐnɐ

ki mɔsˈtɾaɾɜ̃w̃ na ˈtɛxa tʃĩʒiˈtɜ̃na

E na língua, na qual quando imagina,

i nɐ ˈlĩgu̯ɐ nɐ ku̯aɫ ˈku̯ɐ̃du̯imɐˈʒinɐ

i na ˈlĩgwa, na kwaw ˈkwɜ̃dwimaˈʒĩna

Com pouca corrupção crê que é a latina.

kõ ˈpokɐ koʁupˈsɐ̃ũ ̯ kɾe ki̯ɛ ɐ lɐˈtinɐ

kõ ˈpo:ka koxupˈsɜ̃w̃ kɾe kjɛ a laˈtʃina

Curiosidades

  • A maior palavra do português é "Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico", com 46 letras, que denota o estado de quem é vítima de uma enfermidade causada pela aspiração de cinzas vulcânicas.
  • A língua portuguesa é o único idioma românico em que existe mesóclise.
  • A palavra "saudade" é considerada de existência única no português, em relação ao seu significado. Contudo, esta ideia foi mistificada, devido a não existir uma palavra equivalente nas línguas estrangeiras mais conhecidas. No polaco, por exemplo, existe a palavra tęsknię, com a mesma definição. Com relação ao inglês usa-se o miss, por exemplo na frase I miss you, como: Sinto sua falta, relacionando falta a saudade, ou seja falta(en)=saudade(pt)

Notas

  1. English and Portuguese Numbers in the World, University of Helsinki e The 30 Most Spoken Languages of the World
  2. Em Cafundó, esforço para salvar identidade. São Paulo, SP: O Estado de São Paulo, 2006 Dezembro 24, p. A8.

Ver também

Dicionários on-line

Ferramentas de apoio à escrita do português

Ligações externas

Links de visita obrigatória

  1. http://www.instituto-camoes.pt/cvc/ensinar.html
  2. http://www.instituto-camoes.pt/cvc/hlp/geografia/mapa06.html
  3. http://www.instituto-camoes.pt/cvc/contomes/21/texto.html
  4. http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx
  5. http://antiga.bibvirt.futuro.usp.br/index.php
  6. http://antiga.bibvirt.futuro.usp.br/index.php
  7. http://www.estacaodaluz.org.br/wps/portal (Museu da língua Portuguesa)
  8. http://ciberduvidas.sapo.pt/

Uma língua de cultura como a nossa, portadora de longa história, que serve de matéria prima e é produto de diversas literaturas, instrumento de afirmação mundial de diversas sociedades, não se esgota na descrição do seu sistema linguístico: uma língua como esta vive na história, na sociedade e no mundo.
Tem uma existência que é motivada e condicionada pelos grandes movimentos humanos e, imediatamente, pela existência dos grupos que a falam.
Significa isto que o português falado em Portugal, no Brasil e em África pode continuar a ser sentido como uma única língua enquanto os povos dos vários países luso falantes sentirem necessidade de laços que os unam. A língua é, porventura, o mais poderoso desses laços.

Para ouvir a musica que acompanha este Post click ‘aqui’

Anúncios

Comentários a: "As origens da língua Portuguesa…(2)" (1)

  1. Cláudio Francisco said:

    Bom trabalho de pesquisa! Parabéns.
    Tenho a certeza que despertará interesse entre muitos dos visitantes do espaço. A nossa língua é muito rica , bela, importantíssima e, porque assim, devemo-la dar a conhecer,  cada vez mais, ao mundo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Nuvem de etiquetas

%d bloggers like this: