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Recordar… tambem é viver

Na continuação de um post anterior, volto a recordar músicas e canções, que ocupavam as horas de ócio, quando longe da família, dos amigos e de todos aqueles que sempre conheci e que me queriam bem, mas junto de uma fraternidade de novos amigos, companheiros inseparáveis de bons e maus momentos, em longas tardes e noites, estes sons nos acapanharam e nos traziam memórias de estar e sentir… como nos sentíamos bem ouvindo estas musicalidades!.

Eram ouvidas, enquanto o pensamento voava, ou quando escrevíamos as longas cartas diárias, para a família, à namorada e até mesmo para as Madrinhas de Guerra. Madrinhas de Guerra eram as moças e mulheres que disponibilizavam algum do seu tempo, para escrever aos mobilizados, que lá longe iam efectuando o seu serviço militar. Uma espécie primária e antecipada dos orkuts de hoje, fotoblogs e messengers.. Muitos deles se casaram com as suas Madrinhas de Guerra.

 

Imagem de uma ‘Aerograma’ simples folha A4 , leve muito leve, para não ter peso , que a rapaziada era muita, estes eram disponibilizada aos militares,familiares e  amigos, para troca de correspondência totalmente gratuita.

Madrinha de Guerra, como se algo assim fosse possível de imaginar. Mas sim existiam e serviam para escrever aerogramas aos soldados da guerra colonial, algumas o faziam com entusiasmo, por também precisarem de ombro. A guerra – essa era algo que nem sabiam bem porque existia.

Muitas perdidas na angústia da distância que as envolvia numa tristeza diária, na esperança de um retorno muitas vezes não acontecido, tentavam construir os seus afectos, divididos, nem mesmo sabiam o que tinham com África. Esse continente distante que lhes engolia quem mais pensavam querer.

Tudo fingia mais calma, ninguém falava nos mortos e estropiados abertamente, tabu necessário à sobrevivência do regime.

As mulheres construíam os seus sonhos com pessoas que mal conheciam, na ânsia de amarem e serem amadas. Amavam perdidamente as poucas linhas que lhes chegavam, alimento das feridas tão fundas num mundo tão desigual.

O Avião, mais esperado… uma vez por semana… (mas por vezes não vinha e a tristeza ficava instalada nos rostos dos jovens soldados) … trazia as cartitas da família e dos amigos que deixaram lá longe… sempre que havia correio… era ver toda aquela juventude, a correr cada um para seu canto, para a gulosa leitura da correspondência.

 

Por aquela porta ficava um quarto de 2,5×2,5 m feita de canas de bambu, aglutinadas com barro e revestidas com um pouco de cimento onde dormiam 4 graduados, um deles era este vosso amigo, que se encontra sentado, no cimo de um bidão, cheio de terra para protecção de qualquer coisa, que assobiando viesse do céu e que no terreiro caindo, espalha-se a sua reluzente carga.

Claro que continuo levezinho, para não doer.

Claro que lhes ofereço esta cadeira desenhada e feita por este vosso amigo, para devidamente instalados possam usufruir das delícias destas músicas,  podem saboreiem então uma bebida que aprendi a gostar…(Mais tarde e no Brasil)… ‘Caipirinha’.

Click aqui para ouvir o ruído de fundo que acompanha este post

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