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Figuras do Trovadoresco galaico-português

Trovador, na lírica medieval, era o artista de origem nobre que, geralmente acompanhado de instrumentos musicais, como o alaúde ou a cítola, compunha e entoava cantigas. Vários reis portugueses foram trovadores, como D. Sancho I e D. Dinis. Os filhos bastardos de D. Dinis, o conde de Barcelos e Afonso Sanches, herdaram o talento do pai e também escreveram poemas.

Ainda que seja coerente a afirmação de que quem tocava e cantava as poesias eram os jograis, é muito possível que a maioria dos trovadores interpretasse igualmente as suas próprias composições.

As cantigas, primeiramente destinadas ao canto, foram depois manuscritas e coleccionadas nos chamados Cancioneiros (livros que reuniam grande número de trovas). São conhecidos três Cancioneiros galaico-portugueses: o "Cancioneiro da Ajuda", o "Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa" e o "Cancioneiro da Vaticana".

Segréis, também nobres, mas que dispunham de poucos recursos, sendo por isso obrigados a lançar mão da poesia e da música como meio de subsistência.

Menestrel, na Europa medieval era o poeta bardo cuja performance lírica se referia há história de lugares distantes ou sobre eventos históricos reais ou imaginários. Embora criassem seus próprios contos, frequentemente memorizavam e floreavam obras de outros. À medida que as cortes foram ficando mais sofisticadas, os menestréis eram substituídos por trovadores, e vários deles tornaram-se errantes, apresentando-se para a população comum

Jogral, na lírica medieval, era o artista profissional, de origem popular (vilão, ou seja, não pertencendo à nobreza), que geralmente cantava ou tocava instrumentos musicais, como o alaúde ou a cítola. Alguns jograis compunham também as suas próprias melodias e poemas.

Soldadeiras, cantoras e dançarinas que se exibiam nas apresentações de Jograis.

 Cantigas de Amigo: Este tipo de cantiga, que não surgiu em Provença como as outras, teve suas origens na Península Ibérica. Nela, o eu-lírico é uma mulher (mas o autor era masculino, devido à sociedade feudal e o restrito acesso ao conhecimento da época), que canta seu amor pelo amigo (amigo = namorado), muitas vezes em ambiente natural, e muitas vezes também em diálogo com sua mãe ou suas amigas. A figura feminina que as cantigas de amigo desenham é, pois, a da jovem que se inicia no universo do amor, por vezes lamentando a ausência do amado, por vezes cantando a sua alegria pelo próximo encontro. Outra diferença da cantiga de amor, é que nela não há a relação Suserano x Vassalo, ela é uma mulher do povo. Muitas vezes tal cantiga também revelava a tristeza da mulher, pela ida de seu amor à guerra.

Cantigas de Amor: Neste tipo de cantiga, originária da Provença, no sul de França, o eu-lírico, masculino, canta as qualidades de seu amor, a "senhora", a quem ele trata como superior (para ele, ela é a suserana e ele, o vassalo, reproduzindo, portanto, o sistema hierárquico feudal). Ele canta a dor de amar e não ser correspondido (chamada de coita), e é a sua amada a quem ele se submete e "presta serviço", e, por isso, espera benefício (referido como o bem nas trovas).

Cantigas de Escárnio: Na cantiga de escárnio, o eu-lírico faz uma sátira a alguma pessoa. Essa sátira era indirecta, cheia de duplos sentidos. As cantigas de escárnio (ou "de escarnho", na grafia da época) definem-se, pois, como sendo aquelas feitas pelos trovadores para dizer mal de alguém, por meio de ambiguidades, trocadilhos e jogos semânticos, num processo que os trovadores chamavam "equívoco". O cómico que caracteriza essas cantigas é predominantemente verbal, dependente, portanto, do emprego de recursos retóricos. A cantiga de escárnio exigindo unicamente a alusão indirecta e velada, para que o destinatário não seja reconhecido, estimula a imaginação do poeta e sugere-lhe uma expressão irónica, embora, por vezes, bastante mordaz 

Cantigas de Maldizer: Ao contrário da cantiga de escárnio, a cantiga de maldizer traz uma sátira directa e sem duplos sentidos. É comum a agressão verbal à pessoa satirizada, e muitas vezes, são utilizados até palavrões. O nome da pessoa satirizada pode ou não ser revelado

Mas o que de momento nos interessa, são os Jograis… esses sim que ainda hoje existem, quer em Portugal quer no Brasil.

O JOGRAL

É um Intérprete cultural em vias de extinção

Nasceram em tempos medievos estes intérpretes culturais que resistiram durante séculos ao avanço do conhecimento das artes e das letras e hoje, estão em vias de extinção, mercê dos seus poucos seguidores.

Os que restam deste género artístico – a cultura jogralesca – são animais raros neste render de século.

Os jograis de antanho foram meios de comunicação privilegiados, amados e odiados, protegidos e acusados, defendidos e espoliados, conforme o teor e o alvo das sátiras – ora burlescos e anedóticos, ora subtis e espirituosos, ora mordazes e satíricos, os jograis não poupavam ninguém, citando, dançando, dizendo, cantando, cabriolando, ridicularizando.

Eternos viajantes do tempo, quais cavaleiros andantes montados em corcéis alados, tomaram assento na máquina do tempo e chegaram ao nosso tempo, pilotando máquinas de narizes fumegantes de poluição.

Os primeiros jograis de que reza a história são anteriores à fundação de Portugal.

Como veículos de cultura, quer palaciana, quer popular, tiveram influência da Provença, e ainda de Castela e Leão, cujas cortes eram procuradas e onde faziam poiso habitual.

Como cavaleiros errantes que eram, formavam uma confraria migratória – qual "república" em tempo de monarquia – viajando de corte em corte, por toda a península, que sempre foi a grande pátria dos jograis e trovadores galaico-portugueses.

Com D. Afonso Henriques, foi Guimarães capital administrativa, para mais tarde se assumir também como capital jogralesca.

Com a Igreja, rivalizaram protagonismos de comunicação, em lados opostos, com percursos e mensagens diferentes, por razões óbvias e demasiado evidentes. Aliás, a Igreja nunca aceitou a cultura jogralesca da idade média, chegando a considerar os jograis como "filhos do demónio", mercê de uma certa impotência em fazer calar aquelas vozes dissonantes, por incómodas, de algumas verdades que só eles tinham a coragem de dizer. Daí que, em tempo de procissões, só actuavam no fim das mesmas, tendo mesmo alguns jograis da época, apesar de mais ilustrados que muitos nobres e alguns clérigos, sido alvo do castigo da excomunhão.

Tinham os jograis ao tempo, uma reconhecida e permitida liberdade de expressão, bem à margem dos padrões convencionais da época, embora considerados na hierarquia como "vilões" pagos a soldo.

Era normal a vida dupla que viviam muitas vezes – a vida da corte, convivendo com reis, fidalgos e cortesãs, quantas vezes à margem das convenções ditas decentes, sendo protagonistas directos em orgias e escândalos – e a vida mundana e marginal, deambulando por ruas e tabernas, bordéis e estalagens, convivendo amiúde com vagabundos, soldadesca e meretrizes.

As cantigas de escárnio, muitas vezes mimadas e musicadas, eram as armas escolhidas para os duelos que travavam contra reis e cavaleiros, nobres e fidalgos, clérigos e meirinhos, juízes e físicos, freiras e abadessas, cuja vida devassavam a verdadeiro fio de espada.

Mas tinham os jograis um código de honra, uma linha de conduta ética, onde a solidariedade não era palavra vã e o plágio assumia foros de crime infame e abjecto.

Foram odiados, tolerados e protegidos por reis e nobres, que os espoliaram e expulsaram, mas também lhes outorgaram privilégios e riquezas.

D. Dinis foi o monarca português que mais protegeu os jograis – esse rei poeta que também escreveu cantigas de amigo – o primeiro rei culto da história do país, interessado nas artes e nas letras, desde cedo, influenciado por sua mãe, a Condessa de Bolonha, e mais tarde apoiado por sua mulher, a Rainha Isabel, que nutria respeito e admiração pela arte jogralesca e trovadoresca. Neste reinado, a par de outros acontecimentos marcantes na vida deste novo país, dois fizeram história:

  • A primeira compilação de poesia jogralesca.
  • A fundação da primeira Universidade, escola de todas as ciências e saberes.

Algumas vezes comedidos, muitas e muitas mais sem tento na língua, autênticos arautos de profecias, de boas-novas e desgraças, os jograis tiveram, através dos séculos, o raro condão de se manterem iguais a si próprios.

Poetas e músicos, cantores e bailarinos, incómodos e sarcásticos, subtis e irónicos, espirituosos e satíricos, marginais e trocistas, polémicos e inconformados, burlescos e boémios, escandalosos e zombeteiros, chegaram praticamente incólumes aos nossos dias, com as mesmas virtudes e defeitos, talvez só adaptados às modernas formas de convivência – sem chapeirão nem espada, losangos e chapins pontiagudos, mas de fato e gravata, sapatos de polimento, telemóvel, cartão de crédito e acesso à Internet.

Parentes próximos dos jograis da idade média, mas vivendo uma realidade de séculos já passados, são um pouco a imagem dessa viagem no tempo, os Jograis de hoje, porque continuam iguais a si próprio, tal como em tempos idos.

Cantam o povo, os poetas, a cidade.

Pelejam com as armas da subtileza e da ironia.

Correram o país, passaram pelas rádios, têm honras de vedetas da televisão.

Os Jograis

Já fizeram grande história

nos saraus de D. Dinis

E o seu encanto quis

Que ficassem na memória

Hoje um dia já diferentes

Ainda dão à poesia

A vida que ela merece

Rogando agora uma prece

Que ela não morra é o que queria

Que não acabe

De quem ela goste

Porque no país já fez história

De Camões a Pessoa

Que ela sempre fique na memória

 

Cantiga de Amigo escrita por D. Dinis

Em português arcaico

Ay flores, ay flores do uerde pyno,

se sabedes nouas do meu amigo !

Ay Deus, e hu é ?

Ay flores, ay flores do uerde ramo,

se sabedes nouas do meu amado !

Ay Deus, e hu é ?

Se sabedes nouas do meu amigo !

aquel que metiu do que pos comigo !

Ay Deus, e hu é ?

Se sabedes nouas do meu amado,

aquel que metiu do que mh á jurado ?

Ay Deus, e hu é ?

Vos me preguntades polo uoss’amado,

e eu be uos digo que é san’ e uiuo

Ay Deus, e hu é ?

Vos me preguntades pólo uosso’amado,

e eu be uos digo que é uiu’ e sano

Ay Deus, e hu é ?

E eu be uos digo que é san’ e uyuo,

e seera uosc’ ant’ o prazo saydo;

Ay Deus, e hu é ?

Tradução dos versos acima

"Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado!
ai Deus, e u é?"

Na lírica galaico-portuguesa destacam-se:

Trovadores

Outros trovadores:

Não fica por aqui… vai continuar com uma 3ª e 4ª parte

Este título de vivências, agora não condiz, mas como foi uma vivência a origem e estou na continuação do post… aqui fica para quem inicia a leitura … a devida correcção.

clik aqui para abrir o Link da canção

Comentários a: "Vivências(2)…Continuação … e no arregaçar das mangas…" (2)

  1. Amigo Carlos Ferreira,
     
    A Saga que vejo agora,
    tem a voz do "Alentejo"!
    Soa, festiva e sonora!…
    Sinto prazer, no que vejo!
     
    Sua amiga brasileira, nordestina, e potiguar… que estava precisando matar saudades dos encantos do Cordel… Obrigada!
     

  2. Vivências são da vida experências
    São do nosso viver muitas histórias
    Num querer sermos em diligências
    Perpetuadas nas nossas memórias…
     
    Um abraço com amizade do amigo de sempre:
     
    MANUEL
     
    http://groups.msn.com/GrupoTernura/

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