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Sobre Évora

Évora

1 – O Castelo de Évora

Antecedentes

Embora se acredite que a primitiva ocupação do sítio da actual Évora remonte à pré-história, o seu povoamento alcançou expressão à época da ocupação romana da península Ibérica, quando ali existiu um oppidum denominado Ebora Cerealis.
Fiel ao imperador Júlio César, atingiu maior importância regional, quando recebeu importantes obras públicas, passando a ser designada como Liberalitas Julia (c. 60 a.C.), conforme o testemunham os importantes vestígios arqueológicos entre os quais se destacam as ruínas de um templo em honra ao Imperador e os vestígios de muralhas no Largo da Misericórdia e junto do Passeio de Diana.
Com o advento do cristianismo, a cidade tornou-se sede de um bispado desde o século IV. A sua importância manteve-se à época do domínio dos Visigodos, quando se tornou um centro de amoedação. Nesse período, as suas defesas foram ampliadas, conforme o testemunham três das torres então erguidas, entre as quais a chamada Torre de Sisebuto. As suas feições não foram sensivelmente alteradas durante o posterior domínio muçulmano.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da península, Évora foi inicialmente tomada pelas forças de D. Afonso Henriques (1159). Retomada em pouco tempo pelos muçulmanos, a sua conquista definitiva só seria alcançada pelo lendário Geraldo Sem Pavor, em 1165, com o auxílio dos primeiros cavaleiros da Ordem de Calatrava, fundada em Castela dois anos antes, e que, em Portugal, receberam o nome de Frades de Évora por aqui terem se estabelecido. Documentos indicam que já em 1181 estes monges-cavaleiros eram denominados como Ordem de Évora, vindo a se denominar, cerca de meio século mais tarde Ordem de Avis, quando elegeram aqueles domínios por sede.
Durante o reinado de D. Sancho I (1185-1211), foi com o auxílio destes cavaleiros que a cidade resistiu ao assalto das forças almóadas comandadas por Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur (1191), quando as fronteiras portuguesas foram empurradas até à linha do rio Tejo.
Embora se atribua o início de significativas obras de ampliação das defesas de Évora ao reinado de D. Dinis (1279-1325), é mais correto atribuí-las ao de D. Afonso IV (1325-1357), monarca que aqui residiu por largos períodos e de onde partiu para a batalha do Salado (1340). Documentos na Chancelaria de D. Pedro I (1357-1367) são os primeiros a mencionar a cerca da vila, referindo trabalhos na barbacã, fossos e muros. Essas obras estariam concluídas à época do reinado de D. Fernando (1367-1383), o que leva alguns autores a referirem a defesa externa da vila como cerca fernandina. Neste reinado é pela vez documentalmente referida a Porta do Raimundo (1373).
Afirma-se que por influência de D. Leonor Teles, esteve detido no Castelo de Évora, em 1382, o filho bastardo de D. Pedro I, D. João, Mestre da Ordem de Avis, supostamente acusado de uma conspiração contra o monarca, urdida com a colaboração de Gonçalo Vasques de Azevedo. D. João só conseguiu obter a liberdade apelando à intercessão do conde de Cambridge, filho de Eduardo III de Inglaterra e irmão do duque de Lencastre, comandante das tropas inglesas então em Portugal devido às pretensões de D. Fernando ao trono de Castela.
Eclodindo a crise de 1383-1385, o alcaide-mor do castelo, Álvaro Mendes de Oliveira, tomou o partido de D. Leonor:
…logo em esse dia Diogo Lopes Lobo e Fernão Gonçalves d´Arca, e João Fernandes, seu filho, que eram uns dos grandes que aí havia, e levantaram e foram combater o castelo, subindo em cima da Sé, e isso mesmo do açougue, que são lugares altos, e dali atiravam muitos virotões aos que estavam no castelo, o qual era muito forte de torres e muro e cercado de cava e mui mau de tomar sem grande trabalho. E por os fazerem render mais asinha, tomaram as mulheres e os filhos dos que dentro estavam e puseram-nos em cima de senhos carros, todos amarrados, que eram um jogo que os meudos em semelhante caso muito costumavam fazer; e chegaram assim à porta do castelo bradando aos de cima que saíssem fora e o desamparassem, senão que as mulheres e filhos lhes queimariam todos. (Fernão Lopes. Crónica de D. João I)
Obtida a rendição por este estratagema, foi o castelo objecto de depredações, vindo a população a chacinar todos os que, comprovadamente ou não, considerassem partidários da rainha. Entre os que assim pereceram, destacou-se a abadessa das freiras de São Bento, impiedosamente arrastada da Sé, onde se refugiara.

Da Guerra da Restauração à Guerra Peninsular

No contexto da Guerra da Restauração, as defesas de Évora foram modernizadas, recebendo linhas abaluartadas, transformando-se numa Praça-forte. Veio a cair, entretanto, diante do assédio e assalto das forças castelhanas sob o comando de D. João de Áustria (Maio de 1663), para ser reconquistada um mês depois, a 24 de Junho, pelas tropas portuguesas.
À época da Guerra Peninsular, insuficientemente guarnecida e com falta de munições, não teve sucesso na resistência à investida das tropas francesas sob o comando de Loison.

Os nossos dias

As suas defesas encontram-se classificadas como Monumento Nacional por Decreto publicado em 4 de Julho de 1922. A cidade, que alguns definiram como cidade-museu é testemunho de diversos estilos artísticos, dotada que foi, ao longo do tempo, de obras de arte. Desse modo, o seu conjunto encontra-se classificado como Património Comum da Humanidade, pela UNESCO, desde 1986.

Características

A muralha da cidade, com características da baixa Idade Média, mantém-se nas suas linhas essenciais, com troços bem conservados e elementos arquitectónicos significativos. Destacam-se a chamada Porta de Avis (referida em 1353), a Porta de Mendo Estevens (Porta do Moinho de Vento), a Porta da Alagoa (defendida por uma torre), a Porta de Alconchel (a principal da cidade, protegida por dois grandes torreões). A chamada Porta do Raimundo foi demolida em 1880.

Comentários a: "Sobre Évora" (3)

  1. Amigo, Carlos Ferreira!
    Sempre me emocionei com os hinos em homenagem à Patria. O amor à terra natal e a divulgação das belezas, dos valores, dos usos e costumes de cada torrão, são coisas admiráveis, sem outra explicação que não seja a demonstração de um sentimento verdadeiro, profundo, e sublimado! Como é maravilhoso abstrair a exaltação aos encantos da terra de origem! "Princesa de Portugal"… "Rainha do Alentejo"… Como é gostoso de ouvir versos que dizem: "És linda na primavera… os campos mudam de cor… e chegam as andorinhas… na serra há tanta flor…"! Sinto-me arrepiada! Sentimental como sou, sempre que me deparo com a eloqüência do sentimento, fico sem palavras!… Apenas, sinto!… E neste momento, esse hino de amor, de beleza, de paixão, e de grandeza, é uma explosão de poesia lírica e melodiosa!  Parabéns, por divulgar no seu Espaço, matérias, imagens, e cânticos, contemplando história, raízes, cultura, tradição! Sua página, neste momento, merece ser gravada, guardando a tela, a beleza, e o lirismo que esplendem dessa linda serra, que se não a vejo, posso imaginá-la impregnada de natureza, tão forte e transparente, é a manifestação que esse hino transmite! Um grande abraço, e minha imensurável admiração pela maravilhas de Portugal, pelos encantos do Alentejo, pela poesia de Évora!
     

  2. Que maravilha!!! Cheguei agorinha de uma audiência chata, árida, demorada… mortinha de dor de cabeça (a famosa enxaqueca)… e me deparo com esta linda canção, que não sei porque, mexe e remexe com os meus hormônios sentimentais! Lembro da infância, da banda de música tocando no coreto da pracinha, das retretas, das alvoradas, enfim… lembro de coisas boas, puras, inocentes, indeléveis na minha lembrança! Muito obrigada, meu amigo! Deus lhe pague!

  3. Voltei! Voltei para esclarecer que me reportei à canção que está tocando neste momento!… "Serra"!… Linda de viver!… Um verdadeiro hino de amor à terra! 

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